Taxa de coronavírus nos esgotos de BH é quase o dobro do pico da pandemia em julho – Rádio Itatiaia


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Thiago Bressani

Pesquisadores e técnicos fazem a coleta nas sub-bacias de esgotamento

A carga viral detectada nas de esgoto de Belo Horizonte (MG) atingiu seu segundo maior nível desde o início da pandemia, segundo o Boletim de Acompanhamento nº 29 do projeto-piloto Monitoramento Covid Esgotos, divulgado na sexta-feira (29). Os níveis de vírus encontrados nos esgotos, 30 milhões de cópias por dia, são inferiores apenas ao que a pesquisa apurou na semana de 21 a 25 de dezembro de 2020, quando foi registrada a maior carga desde o início da pandemia. Esse patamar é quase o dobro do valor encontrado no período mais crítico da pandemia, no mês de julho de 2020, quando atingiu cerca de 18 trilhões de cópias por dia.

O projeto-piloto Monitoramento COVID Esgotos tem o objetivo de monitorar a presença do novo coronavírus nas de esgoto coletadas em diferentes pontos do sistema de esgotamento sanitário das cidades de Belo Horizonte e Contagem, inseridos nas bacias hidrográficas dos ribeirões Arrudas e do Onça. A iniciativa une a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o INCT ETEs Sustentáveis ​​e a UFMG, e tem apoio da Copasa, empresa de saneamento de Minas Gerais, da Secretaria de Saúde do estado e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

Novas evidências

A quantidade de pessoas infectadas estimado a partir desta carga viral passou por reformulação metodológica, após a incorporação de novos dados e pesquisas ao longo do projeto. Tais achados incluem, por exemplo, novas evidências de que o período de secreção do vírus nas fezes de pessoas infectadas pode durar até sete semanas e varia de indivíduo para indivíduo.

Esse aprimoramento resulta em valores de população infetada estimada cerca de quatro a seis vezes inferiores; aqueles calculados com a metodologia anterior e guardam mais coerência com a população que contribui com esgoto para as duas estações de tratamento de esgotos (ETEs) da cidade de Belo Horizonte. Segundo os coordenadores do projeto, embora a nova metodologia de cálculo tenha resultado em menor população infectada estimada, isso não significa que redução das cargas virais determinadas a partir do monitoramento do esgoto e, portanto, da circulação do vírus em Belo Horizonte.

A estimativa dessa estimativa passa a ser considerada nos boletins, que informam a população infectada por faixas, representando valor mínimo, médio e máximo.

A estimativa de população total infectada para o conjunto de regiões (sub-bacias de esgotamento) que contribui com esgoto para as ETEs Arrudas e Onça tem valor mediano de cerca de 250 mil pessoas (entre 190 e 345 mil pessoas, considerando os cenários) na semana epidemiológica 02/2021.

Em Contagem, uma população infectada estimada na última semana de monitoramento foi de cerca de 45 mil pessoas – na semana anterior, a estimativa de cerca de 30 mil pessoas.

Os resultados das contas coletadas durante todo o projeto estão ganhando no Painel Dinâmico Monitoramento Covid Esgotos.

Alerta para novos surtos

Os pesquisadores participantes no estudo reforçam que não há evidências da transmissão do vírus através das fezes e que o objetivo da pesquisa é mapear os esgotos para indicar áreas com maior incidência da doença e usar os dados obtidos a partir do esgoto como uma ferramenta de aviso precoce para novos surtos, por exemplo.

Com os dados obtidos, é possível saber como está a ocorrência do novo coronavírus por região, o que pode direcionar a adoção ou não de medidas de relaxamento consciente do distanciamento social. Também pode possibilitar avisos precoces dos riscos de aumento de aumento da covid-19 de forma regionalizada, embasando a tomada de decisão pelos gestores públicos.



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